Léo Medeiros
Eu fiquei incabulado
Quando chegou no sertão
Um bolão avermeádo
Maior do que a capotão.
Que dois primo meu truvero
Na viaje que fizero
Pras bandas do estrangêro
Pois tornou-se a diversão
Que ficou na região
Pra divertir o vaquêro.
Lá pras banda do estrangêro
Eles ganharo furtuna
Trabaiavo de poteiros
Numa tá de casa noturna.
Vortaro todo pintoso
Num corsé daqueles novo
De tênis e espicineites
E fizero a maior bagunça
Para gastar a bufunfa
Que ganharo nos Estates.
Mandaro fazer uma quadra
Lá nas terra de Abreu
Bem pertim dum sítio meu
Onde a minha mãe morava.
Pois fizero a tá da quadra
Inté com artibancada
No cimento e no concreto
No dia da inaiguração
Foi a maior badalação
Eu disse: eu vou ver de perto.
Cheguei no dito locá
Que ia haver o jogo
Maiada e Pedra de Fogo
Na partida inaigurá.
Subi pra artibancada
Num tirava os zóios da quadra
Só cubano o movimento
Quando apareceu Abreu
De lado dum fio seu
Abreuzim do Nascimento.
Abreu sentou do meu lado
E disse: “vamo apostá
Vou três cabeça de gado
Somente pra começá.
E aposto nos listrado
Tu fica com os incarnados
Que veio lá das Maiadas”
Apertei a sua mão
E disse assim : meu patrão
A posta está fechada.
E meus primo nessa hora
Chamou todos jogadores
E disse assim: “meus senhores
Vocês arrebole a bola.
Mode acertar no cestão
Que a tá da pontuação
Se marca de um a três”
E começou o tá jogo
Maiada e pedra de Fogo
Na quadra que eles fez.
Era um jogo chei de demora
Cinco macho pra cada lado
Quando a bola ia fora
O relójo era parado.
Já tava com mais de hora
O povo todo ino embora
E num saía um pontim
Uma hora Abreu se virou
Oiou pra mim e falou:
“ô ruma de caba ruim”.
Quando terminou o tempo
Fôro pra prorrogação
Prorrogaro bem um cento
E nada de pontuação.
Em riba da artibancada
Somente quem lá restava
Era Eu,Abreu e Abreuzim
Nós tava interessado
Pois tinha apostado um gado
No mardito do joguim.
E o tempo se passava
E num saía um ponto
Os jogador na quadra
Já tavo ficano tonto.
E como o jogo tava impatado
Sem nenhum ponto marcado
Meus primo foro examinar
Pro que que aquela bola
Jogada pro varas horas
Na cesta num quis intrá.
Falaro com João de Cera
O fio de Chico Bento
Que foi em toda carrêra
Na casa de Zé Moreno.
E vortou logo em seguida
Com uma escada cumprida
Pra subir no garrafão
Despois de tudo testado
Medido e comprovado
Chegaro a uma concrusão.
Sabe o que aconteceu
A posta foi desmanchada
Nenhum de nós ganhou nada
Nem Eu e nem Abreu.
Só perdemo o feriado
Que estava programado
Pra fazer apartação
E a partida foi incerrada
Proque a bola avermeáda
Era maior do que o cestão.
fim