O que o povo quer do governo Lula
Autor: Léo Medeiros

Vinte e sete de oitubro
Tá maicado na memóra
Pois já intrô pra históra
Desse país tropicá
Cansado de apanhá
Ficado a sigundo prano
A mais de quinhento ano
Desne a vinda de Cabrá.

Pois desne quondo Cabrá
Atracô cum sua proa
Que um grupo de pessoa
Manda no nosso torrão
Sem pena e sem compaxão
Faz do Brasí um brinquedo
E dêxa nóis chupano o dedo
Morreno de precisão.

Saivi, saivi meu Brasí
O seu novo prisidente
O caba, mas presistente
Que nesse país já deu
Nordestino cuma eu
Sem diproma de dotô
Mas grande cunhicedô
Desse Brasí meu e seu.

Na histora do Brasí
Esse é o mais deferente
É o premêro prisidente
Que deu do lado de cá
É um sujeito populá
Que vei o mundo sem ôro
Cresceu pobe sem tizôro
Cum sôio de gunverná.

Pela prisidença do Brasí
Já passô munto dotô
Jornalista, promutô
Impresáro, generá
Ingenhêro, marechá
Devogado e fazendêro
Mas esse é o premêro
De orige populá.

Saivi, saivi meu Brasí
Esse caba populá
Que agora vai sentá
Nas cadeira de dotô
Que munto cedo cumeçô
Infrentá o dia a dia
Pra ajudá sua famia
Vinda dos interiô.

É um fio de agricutô
Que cunhece o que é sofrê
Pra mode subrevivê
Vendeu cocada na fêra
Camarada de premêra
Preso pelos militá
Que num cansô de lutá
Em pró da nossa bandêra.

Foi prisidente sindicá
Do grande ABC Polista
Organizô os grevista
Sem temê os impresáro
Cum ideais partidáro
Foi o grande fundadô
Do partido dos trabaiadô
In pro dum mió saláro.

Se canidatô a gunverno
No ano de oitenta e dois
E quato ano dispois
Si inlegeu pra diputado
Sendo inté o mais votado
Do istado banderante
E um dos mais atuante
Lá in riba do pranalto.

No ano de oitenta e nove
Concorreu a prisidença
Num ganhô a preferença
Contra o caça marajá
Mais garantiu seu lugá
Na pulítica brasilêra
E astiô sua bandêra
No cenáro nacioná.

Si canidatô duas veis
Contra o tá Efeagacê
Num consiguiu obitê
A vitóra desejada
Mais deu uma alavancada
Para essa inleição
E recebeu uma votação
Nunca antes rezistada.

E o que se pode esperá
Do prisidente petista:
Ele disse em intrevista
Nas rádia e televisão
Que sua premêra missão
À frente da prisidença
É suprí a deficiença
Da hulmide população.

População que já vevi
Num sofrê absuluto
De baxo dos viaduto
Im barraco de favela
Amaigano as mazela
Sem comida e sem saúde
Pidino que Deus ajude
Saí da horrive miséra.

A miséra qui castiga
O pobe do sertanejo
Que na terra vevi preso
Prantano mio e fejão
Caba que moia o chão
Com o suó do seu rosto
E que morre de disgosto
Quondo dêxa seu sertão.

Tem qui mudá duma veis
A istrutura fundiára
Fazê uma refoma agrára
Nunca feita no Brasí
Qui num seja só repartí
Aigum pedaço de xão
Mais qui dê uma condição
Pro assentado produzí.

Tem qui munto arrepará
Para o pobe do operáro
Qui iscapa cum saláro
Pro que Deus tem cumpaixao
Tem qui oiá para o povão
Qui mostrou inteligênça
E lhe iscuieu cum sabença
Pra chefiá a nação.

Pobe nação qui não sabe
Para qui lado apelá
E fica sem acreditá
Nos home lá do pranalto
Qui são cuma carrapato
Sugano o inleitô
Pra mode sê senadô
Prisidente e diputado.

E a dispois qui si inlege
Arriba os pé do istado
S’isquece do inleitorado
Qui lhe iscuieu no sertão
E só faz uma aparição
Já no finá do mandato
Quondo vem pregá retrato
Nas porta do Zé Povão.

Tomara que seu gunverno
Muvido de isperança
Acabe c’uma pobrelança
Tão visive no Brasí
Nas terra do Piauí
Pernambuco e Ciará
Nas caatinga e litorá
Boiburema e Cariri .

Tem que oiá pra educação
Que tá munto bagunçada
Se vê criança aprovada
Sem sabê do bê a bá
Tombém tem qui ricicrá
Os quadro de professô
Do insino superiô
Meido e fundamentá.

O seu gunverno tombem
Tem qui mostá ligerêsa
E rapartí as riqueza
Concentrada em pôcas mão
E dá maió condição
Pro sertanejo prantá
Cuiê e amazená
O mio, arrois e fêjão.

Nóis queremo um Brasí
Cum lazê e moradia
Em qui o pai de famia
Ganhe o sustento da vida
Qui possa andá nas venida
Siguro e prutigido
E qui num seja atingido
Por uma bala perdida.

Queremo vê um Brasí
Sem fila nos ospitá
Mode o dotô consurtá
E passá o remeido certo
Queremo um Brasí liberto
Das garra dos istrangêro
Um Brasí bem brasilêro
Cum seu domínio cumpreto.

Um Brasí qui num pricise
De impresto mundiá
Pra mode num se atolá
C’uns pagamento de juro
Queremo um país siguro
Cum sua mueda forte
Desne o sú inté o norte
No presente e no futuro.

Lula, Luís ou Inaiço
É assim qui o povo qué
Oia bem como é qui é
Mode nada dá errado.
Escoia os hôme inzato
De sabença e de morá
E cumece a gunverná
Iscruino os má feitô
Rumo a um Brasí de valô
Onde nóis possa morá.

Fim.